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ARTIGO - Minha Carta.

Tempo de escrever a cartinha.

Quando os homens não são capazes de cumprir suas promessas, optando por fazer do nosso voto um mecanismo de obtenção de ganhos pessoais, só nos resta conversar com Papai Noel, que durante toda a sua existência conseguiu exercer seu trabalho, sem que qualquer acusação lhe fosse feita.

Em Natais anteriores já tentei saber do bom velhinho o que pensava, quando o presente que destinara aos mais necessitados, fora desviado para um comitê eleitoral, utilizado como peça de campanha. Guardo a impressão que o vermelho da roupa de Noel é fruto da sua vergonha na constatação do que uns poucos praticam com muitos. Acho, até, que o branco que traz a neve e a pureza das crianças, jamais permitirá ser a cor do traje no nosso país. Primeiro porque não há neve por estas bandas e segundo, nossa infância veste luto pelos pais que perderam tombados por balas perdidas, sabe-se lá de que partes vieram.

Em Natais anteriores já tentei saber do bom velhinho, qual a razão pela qual tanto se alardeia da importância da educação no futuro deste país e a massa de pessoas formalmente certificadas, que continuam incapazes de uma mínima interpretação sobre textos, os mais simples, promovem números assustadores. Guardo a impressão que o poder constituído conhece a força de um coletivo bem formado. Neste sentido, ser possível coletivamente exercer uma visão crítica sobre a realidade que está posta, traduz uma grande ameaça à preservação dos interesses que permeiam o regime. Atendendo-se, politicamente, ganhar-se-á fidelidade e silêncio.

Em Natais anteriores, procurei mostrar que por mais modestas que fossem as contribuições, os direitos adquiridos traduziriam-se em resultados concretos, permitindo que os serviços públicos correspondentes, fossem praticados em nível de excelência.

Ao constatar os resultados, guardo a impressão de que devo reavaliar meus níveis de expectativas, mesmo pagando impostos.

Querido Papai Noel, diante do exposto e de muitas outras constatações, estarei me sentindo constrangido em pedir qualquer coisa, por mais mérito que eu possa ter, quando percebo que tantos tem tão pouco, sem o direito de anunciar o seu descontentamento.

Este Ano não te escreverei.

ERALDO MONTENEGROS

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